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Rodeios

Podes tentar-me que não me deixo tentar.
Podes procurar seduzir-me que não me deixo seduzir.
Não quero ou não posso. Pouco interessa qual.
Pensa apenas que não posso deixar que penetres num espaço ainda semi-ocupado por outro.
Não posso permitir-me pensar em ti, enquanto ainda me dói o peito da ferida não cicatrizada.
Sim, tentas-me. Nem imaginas o quanto.
Fecho os olhos e mordo os lábios. Trinco os dentes e penso em qualquer outra coisa.
Tudo para não pensar no teu rosto, nos teus olhos, no teu sorriso.
Principalmente no teu sorriso. E na tua voz que me aquece.
Sempre que me falas, é como se abrisses o meu peito e nele depositasses um bálsamo para dor, o cerrasses de novo e acarinhasses a superfície.
Mas não me posso permitir tentar esquecer um amor com outro.
Por mais que me tentes.
Quando vivo, faço-o por inteiro. Entregas de corpo e alma. Inteiramente.
Algo que não consigo oferecer-te neste momento.
Se o desejo?
Não me coloques questões que não te posso responder.

© Sutra 2009

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